Investimento agrícola ganha novo impulso

A venda de terrenos agrícolas voltou a ganhar dinamismo na Península Ibérica. Em 2025, as operações de compra e venda de propriedades agrícolas representaram cerca de 600 milhões de euros, num total de 1,2 mil milhões de euros de investimento institucional no agronegócio.
O montante global cresceu 50% face a 2024, recuperando da desaceleração registada nesse ano. Além da aquisição de terrenos, o capital foi canalizado para a modernização e reconversão de explorações, sistemas de rega, infraestruturas, tecnologia e culturas permanentes.
Os dados divulgados pela CBRE Portugal mostram que a terra agrícola está a assumir um papel cada vez mais relevante nas estratégias de investimento. A disponibilidade de água, a capacidade produtiva e o potencial de valorização são alguns dos fatores que ajudam a explicar este interesse.

Alqueva destaca-se entre os investidores

Entre os mercados que têm atraído maior atenção está a região do Alqueva. A presença de infraestruturas de regadio e a dimensão das propriedades tornam esta zona particularmente interessante para projetos agrícolas de maior escala.
Uma operação recentemente acompanhada pela CBRE envolveu uma propriedade com cerca de 400 hectares em Faro do Alentejo, no concelho de Beja. O ativo, integrado no perímetro de regadio do Alqueva, foi adquirido pela gestora de ativos neerlandesa Van Lanschot Kempen. A exploração será destinada à produção de azeitona para azeite virgem extra.

A valorização da terra não se limita ao Alentejo. Também o Douro tem despertado o interesse de investidores, sobretudo em propriedades ligadas à produção vitivinícola.
Os dados do Eurostat ajudam a enquadrar esta evolução. Em 2024, o preço médio da terra arável em Portugal atingiu 76.556 euros por hectare, valor muito acima da média da União Europeia, de 15.224 euros.

Água e dimensão pesam no valor da terra

As características de cada propriedade continuam a determinar diferenças significativas nos preços. No Alentejo, terrenos com acesso a regadio e culturas permanentes podem atingir valores bastante superiores aos das áreas de sequeiro.
No Ribatejo e na Lezíria, a produtividade agrícola e a proximidade de infraestruturas logísticas também sustentam a procura. Já no Centro e no Norte, a maior fragmentação das propriedades limita a dimensão das grandes operações, embora existam oportunidades em terrenos com água e boa aptidão agrícola.
A venda de terrenos agrícolas enfrenta, contudo, um desafio estrutural: a reduzida dimensão de muitas explorações. O emparcelamento poderá ser determinante para aumentar a escala, melhorar a produtividade e facilitar novos investimentos.

Mercado agrícola pode manter crescimento

A evolução dos últimos anos aponta para uma maior profissionalização do investimento no setor. Depois de atingir 2,2 mil milhões de euros em 2023, o investimento institucional no agronegócio ibérico abrandou em 2024, antes de recuperar no ano seguinte.
A sustentabilidade, a segurança alimentar e a gestão eficiente da água estão também a ganhar importância nas decisões dos investidores. A terra agrícola passou, assim, a ser encarada não apenas pelo seu valor produtivo atual, mas também pelo potencial de rendimento futuro.
Para Portugal, esta tendência poderá continuar a beneficiar regiões com maior disponibilidade hídrica e capacidade para desenvolver explorações de escala. A procura por terrenos agrícolas deverá manter-se, embora com diferenças significativas consoante a localização, os recursos disponíveis e a capacidade produtiva.

FONTE: SUPERCASA