Famílias mudam de estratégia no crédito à habitação

A taxa mista está a ganhar cada vez mais espaço no crédito à habitação em Portugal. Os contratos que combinam um período inicial de taxa fixa com uma fase posterior de taxa variável já representam mais de 48% do stock de empréstimos para comprar casa.
Esta evolução acontece num contexto de maior preocupação com a oscilação das taxas de juro. Os contratos com taxa variável, tradicionalmente predominantes no mercado português, representam agora cerca de 47% do crédito à habitação. Já a taxa fixa mantém uma expressão bastante mais reduzida.
A alteração da preferência das famílias tornou-se especialmente evidente nos últimos anos. No final de 2023, os contratos com taxa variável ainda representavam cerca de 78% do crédito à habitação, enquanto a taxa mista não chegava aos 18%.

Taxa mista lidera novos contratos

A mudança é ainda mais evidente quando se analisam os novos empréstimos. Em julho, a taxa mista representava cerca de 86% dos novos contratos de crédito à habitação, muito acima das opções de taxa variável e taxa fixa.
A escolha deste modelo permite ao cliente beneficiar de uma prestação fixa durante um período inicialmente definido no contrato. Depois dessa fase, o crédito passa a estar associado a uma taxa variável, normalmente indexada à Euribor.
O período inicial de taxa fixa pode variar de acordo com as condições apresentadas pelo banco e a escolha do cliente. Entre os contratos de taxa mista, dois anos é atualmente o prazo mais comum para esta primeira fase.

Previsibilidade pesa na escolha das famílias

O crescimento da taxa mista acompanha uma alteração no comportamento dos consumidores perante o crédito à habitação. Depois de anos em que a taxa variável dominou os empréstimos, a possibilidade de garantir uma prestação fixa durante os primeiros anos tornou-se mais apelativa.
Ainda assim, a taxa mista não elimina totalmente o risco associado à evolução dos juros. Quando termina o período de taxa fixa, a prestação passa a depender das condições da taxa variável e da evolução da Euribor.
A taxa fixa, por sua vez, continua a representar uma parcela reduzida do crédito à habitação. Em julho, correspondia a cerca de 2% dos novos contratos, enquanto a taxa variável representava 12%.
A evolução destes modelos mostra como as condições do mercado de crédito e a perceção das famílias sobre os juros estão a influenciar as decisões de financiamento para comprar casa.

FONTE: SUPERCASA