Crédito à habitação atinge ritmo histórico

O mercado de crédito iniciou 2026 com um desempenho particularmente expressivo no segmento da habitação. Em Janeiro, o crédito à habitação apresentou uma taxa de variação anual de 10,4%, o valor mais elevado das últimas duas décadas. Este crescimento confirma uma trajetória de aceleração que se verifica desde o início de 2024, num contexto marcado pela descida gradual das taxas de juro e pela recuperação da confiança das famílias.

O montante global de crédito à habitação aumentou 803 milhões de euros face ao mês anterior, fixando o stock total em 111,7 mil milhões de euros. A redução das taxas implícitas no crédito, atualmente próximas de 3,1%, contribuiu para tornar o financiamento mais acessível, estimulando novos contratos e renegociações.

No conjunto do crédito concedido a particulares, incluindo crédito à habitação, crédito ao consumo e crédito para outros fins, a taxa de crescimento anual situou-se em 9,8%, o nível mais elevado desde 2008. O crédito ao consumo e outros fins atingiu 33,8 mil milhões de euros, com uma evolução anual de 7,9%. Estes dados indicam um dinamismo generalizado do crédito, embora a habitação permaneça o principal motor.

Crédito às empresas com evolução diferenciada

O crédito concedido a empresas revelou um crescimento mais moderado. O stock total fixou-se em 74,1 mil milhões de euros, com uma variação anual de 3,7%. Apesar da estabilidade global, observaram-se diferenças significativas consoante a dimensão das empresas.

As microempresas lideraram o crescimento do crédito, com uma subida anual de 14,2%, seguidas pelas pequenas empresas, com 5,0%. Já as médias e grandes empresas registaram recuos no crédito, com variações negativas de 1,8% e 4,9%, respetivamente. Esta assimetria sugere que o crédito está a apoiar sobretudo estruturas empresariais de menor dimensão, frequentemente mais dependentes de financiamento bancário.

Em termos sectoriais, o crédito evidenciou maior dinamismo na construção e atividades imobiliárias, com crescimento de 8,7%. O comércio, transportes e alojamento também apresentaram evolução positiva, destacando-se o alojamento e restauração, bem como o comércio. Em sentido inverso, as indústrias e a eletricidade mantiveram uma trajetória de contração no crédito.

Depósitos acompanham evolução do crédito

A evolução do crédito ocorre num contexto de crescimento dos depósitos de particulares, que totalizaram 200,7 mil milhões de euros no final de Janeiro. A taxa de variação anual foi de 4,4%, ligeiramente acima do mês anterior. Em termos mensais, verificou-se uma ligeira redução, explicada pela diminuição dos depósitos à vista, parcialmente compensada pelo aumento dos depósitos a prazo.

Os depósitos de empresas registaram uma queda mensal mais expressiva, fixando-se em 73,3 mil milhões de euros. Ainda assim, a variação anual permaneceu positiva, em 7,7%, embora inferior ao mês precedente.

O reforço do crédito, sobretudo no segmento da habitação, reflete uma combinação de condições financeiras mais favoráveis e maior procura por financiamento. Se a tendência de descida das taxas se mantiver, o crédito poderá continuar a desempenhar um papel central na dinamização do investimento das famílias e na atividade económica ao longo de 2026.

FONTE: SUPERCASA