Comprar casa: isenções fiscais pressionam preços As isenções fiscais para comprar casa deram impulso à procura, mas a subida rápida dos preços acabou por anular a poupança esperada por muitos compradores. 21 jan 2026 min de leitura Comprar casa em Portugal continua a ser um processo marcado por fortes desequilíbrios. As medidas fiscais criadas para apoiar jovens na aquisição de habitação surgiram com o objetivo de aliviar custos iniciais, mas o impacto no mercado revelou-se mais complexo. A redução de impostos aumentou a capacidade de compra num curto espaço de tempo, desencadeando uma reação quase imediata nos preços das casas. A dinâmica foi simples: mais compradores com maior margem financeira a disputar um stock limitado de imóveis. Este aumento da procura, sem reforço da oferta, acabou por pressionar os valores de venda, fazendo com que a vantagem fiscal se diluísse rapidamente. Para muitos, comprar casa tornou-se apenas ligeiramente diferente em termos de custos iniciais, mas mais caro no preço final. Efeito da procura no mercado ao comprar casa A isenção de impostos associada ao ato de comprar casa concentrou-se em determinados escalões de valor, o que levou a uma maior procura por imóveis dentro desses limites. Os vendedores ajustaram os preços à nova realidade, antecipando a maior capacidade financeira dos compradores elegíveis. Como resultado, os valores subiram de forma mais acelerada nesses segmentos. Em vários casos, a poupança fiscal foi absorvida em poucos meses pela valorização dos imóveis. Comprar casa deixou de significar uma redução efetiva do esforço financeiro, passando apenas a alterar a distribuição dos custos. Quem beneficiou das isenções enfrentou preços mais altos num curto prazo, enquanto quem ficou de fora teve de lidar com um mercado ainda mais inflacionado. Este comportamento reforça a ideia de que medidas focadas exclusivamente na procura tendem a ter efeitos limitados num mercado já pressionado. Comprar casa num contexto de oferta reduzida continua a ser um desafio, independentemente dos incentivos fiscais disponíveis. Impacto desigual entre compradores O efeito das isenções não foi igual para todos. Os jovens abrangidos pela medida conseguiram avançar mais rapidamente no processo de comprar casa, mas viram a vantagem financeira diminuir à medida que os preços subiam. Para os restantes compradores, o impacto foi mais penalizador, uma vez que enfrentaram aumentos sem qualquer compensação fiscal. Este cenário criou uma maior competição no mercado, dificultando negociações e reduzindo margens de escolha. Comprar casa passou a exigir decisões mais rápidas, muitas vezes sob pressão, o que aumentou a perceção de risco e de instabilidade entre os compradores. Além disso, a valorização acelerada contribuiu para um efeito de arrastamento noutros segmentos do mercado, reforçando a tendência de subida generalizada dos preços da habitação. Comprar casa num contexto de oferta limitada A dificuldade estrutural em comprar casa em Portugal está fortemente ligada à escassez de imóveis disponíveis. A construção nova não tem acompanhado o crescimento da procura, e os processos de licenciamento continuam a ser lentos. Neste contexto, qualquer estímulo à procura tende a refletir-se quase automaticamente nos preços. Para que comprar casa se torne mais acessível, é necessário atuar sobre o lado da oferta, promovendo mais construção, reabilitação urbana e utilização eficiente do património existente. Sem estas medidas, os incentivos fiscais correm o risco de repetir o mesmo padrão: alívio inicial seguido de ajustamentos rápidos do mercado. Em síntese, as isenções fiscais tiveram impacto na decisão de comprar casa, mas não resolveram o problema central do acesso à habitação. O mercado respondeu com aumentos de preços, mostrando que soluções duradouras exigem políticas mais abrangentes, capazes de equilibrar procura, oferta e preços de forma sustentável. FONTE: CASASAPO Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado